O Que é Esse tal Blended-Learning?



Tópicos de conversação atuais de realidade mista tais como a curadoria de conteúdo e o aprendizado gerado pelo usuário ajudam a criar essa modalidade híbrida de ensino, que mistura os espaços-tempos gerando um ótimo programa para os alunos desta Era educacional do século XXI.

O blended-learning nada mais é do que o ensino semi-presencial onde parte do evento ocorre em sala de aula e parte via internet online. Eis alguns dilemas que designers instrucionais vão encarar:

-> Trata-se de um chavão que capta a atenção da comunidade de designers e desenvolvedores instrucionais. Aprendizagem combinada, repetição espaçada, gamificação, microlearning, design thinking, Realidade Aumentada / Realidade Virtual, conteúdo gerado pelo usuário, aprendizado integrado e por aí vai...a lista é interminável: fruto de um progresso na área da EaD.

-> Vê-se um valor potencial na implementação. Esse novo formato de educação (que nem é tão novo assim) nos ajudará a melhorar a satisfação do aluno, a alterar o desempenho, impulsionar o ROI.

-> Ficamos cheios de dúvidas uma vez que os críticos nos dão argumentos contrários à efetividade da modalidade. Eis que surge o sacrifício do potencial para evitar o risco de avaliar genuinamente se a solução blended funciona para nós. Ainda mais em tempos de liberação pelo MEC do ensino médio híbrido (20% ead no ensino médio diurno, 30% ead no EM noturno e 80% ead no EM de educação de jovens e adultos EJA. Então, ficamos com o que é seguro. Nós confiamos no provado e verdadeiro. Voltamos ao que conhecemos - um curso tradicional, de texto e presencial, é claro!

-> Pode-se fazer algumas interações legais. Talvez nós usemos um UX melhorado. Mas a fórmula continua a mesma. Compartilhamos conteúdo, os alunos consomem conteúdo, fazemos perguntas aos alunos, os alunos respondem perguntas e, subsequentemente, esperamos que os alunos vejam valor suficiente no conteúdo para mudar o comportamento.

Enfim a lista de dilemas só parece a aumentar à medida que aprofundamos o assunto sobre a efetividade da modalidade blended (semipresencial). Mas, se houvesse valor potencial real na solução? O valor que estamos perdendo porque permitimos que o medo ficasse no nosso caminho? E se pudéssemos melhorar nosso aprendizado amanhã usando técnicas que parecem tão ... ontem?

Minha dica para vocÊ Designer Instrucional é: acostume-se! Vamos começar com uma exploração da aprendizagem combinada (blended learning), depois passar para a gamificação e, finalmente, para uma tendência recente, o aprendizado preditivo. Sim...olha o Big Data ai de novo: aprender a escrever cursos usando dados preliminares do contexto e publico-alvo.

O que é esse Blended afinal?

É a aprendizagem combinada que adota várias modalidades de entrega e as combina em um programa de instrução (de curso). Algumas organizações os chamam de currículos, alguns os chamam de caminhos de aprendizado ou talvez de aprendizagem. Trata-se de um programa de aprendizado que "mistura" modalidades - como o aluno recebe o conteúdo ou a instrução ou quaisquer meios em que seus alunos possam tentar, falhar, ponderar, avaliar e crescer podem ser incluídos em sua mistura. Pode ser nos formatos de:

  • um módulo de curso,

  • uma sessão em sala de aula,

  • um webinar virtual (ou replays),

  • uma palestra

  • podcast ou tutorial narrado

  • vídeo ou videoaula

  • um livro / ebook

  • um artigo,

  • um trabalho em grupo

  • uma avaliação,

  • um mentoring

  • uma disciplina

e por aí vai....

Os programas, quando bem executados, oferecem aos alunos os benefícios da repetição espaçada, um potencial para conexões sociais e a orientação de feedback de um especialista ou tutor que tenha experiência. Porém, quando não são projetados com devido cuidado, os programas de aprendizado podem estar desarticulados, frustrar os alunos e desperdiçar tempo e esforço valiosos do seu próprio tempo.

Essa também é uma insatisfação e questionamento da geral da sociedade e dos adeptos ao ensino regresso presencial: faz sentido tornar o ensino semipresencial? Qual é a dose certa desta mistura de modalidades? Como devemos misturar as modalidade de ensino? Quem disse que 20% para ensino médio durmo é melhor do que 30% do EM noturno? Bem, infelizmente, não há nenhuma fórmula mágica ou algoritmo (ainda!). Para criar um programa de aprendizado combinado bem projetado as instituições e entendidos da área buscam requisitos de contexto, cultura e público adepto à modalidade.

Sabe-se dizer que no ensino médio noturno a modalidade online deve ter uma porcentagem maior de horas porque os alunos que estudam no período noturno tem menos disponibilidade de tempo para ir até a instituição de forma presencial. O mesmo ocorre com o EJA com 80% da sua carga podendo ser exercida online: esse pessoal do EJA são perfis de pessoas que abandonaram seus estudos em determinado momento e voltam hoje com menos disponibilidade de tempo. Por isso trabalhar quase que toda a carga horária de um curso na modalidade virtual. Esse é o nosso trabalho, como designers instrucionais. Trabalhamos, como artesãos, para criar uma mistura que seja mais adequada às necessidades de público (e organizacional) do aluno.

Mas, embora sua combinação seja exclusiva das necessidades de seus alunos, existem algumas práticas recomendadas para ajudá-lo em seu design. A chave para projetar um programa eficiente de aprendizado blended ou híbrido é escolher a modalidade certa. E para isso sugiro que você separe primeiro o "conteúdo conhecido" do "fazer conteúdo". Para cada tópico, pergunte se isso é algo que um aluno precisa saber ou algo que precisa fazer. A "necessidade de saber" pode ser categorizada no intervalo do modo de entrega de compartilhamento de informações, enquanto a "necessidade de fazer" cai em um intervalo de aplicativo.

Abaixo estão as descrições de cada um:

Informações

O que? Quando a informação precisa ser compartilhada com os alunos, escolha métodos de entrega que possam ser alcançados e repetidos. Assim sendo evite usar um curso ou treinamento ministrado por instrutor para compartilhar informações. Imagine tentar encontrar o atalho de pressionamento de tecla específico que foi dado a você em um slide em um programa de aprendizagem de uma hora. Praticamente impossível: a menos que você seja paciente e tenha tempo!

Como? Quando você fornecer informações aos alunos, opte por fornecer o conteúdo em portais de intranet, páginas da Web, vídeos, sites de compartilhamento ex: slideshare e documentos impressos ou para download. A chave para o compartilhamento de informações é fornecer aos alunos uma fonte de fácil acesso para encontrar rapidamente as informações de que precisam, no momento da necessidade.

Atente novamente: só porque você deu informações a alguém, não significa que elas virão. Você também deve fornecer aos seus alunos um contexto pelo qual eles possam entender como e quando usar as informações. Uma maneira eficaz de fazer isso é por meio de planilhas orientadas por cenários (impressas ou on-line) nas quais os alunos devem usar as informações fornecidas para responder às perguntas.

Por exemplo: se você está compartilhando informações sobre o histórico da empresa crie um cenário em que um funcionário é questionado sobre sua empresa pelo colega. Fornecendo recursos e benefícios do produto? Peça aos alunos que pesquisem e escolham uma primeira, segunda e terceira correspondência de produto com base na necessidade do cliente. Fornecendo informações técnicas? Peça aos alunos que ofereçam uma solução para um colega de trabalho simulado que recebeu uma mensagem de erro.

Essa técnica é diferente dos testes de múltipla escolha porque vai além de encontrar o conteúdo e permite que o aluno veja por que a informação é valiosa e como ela pode ser usada em seu mundo.

Aplicação do Blended

O que? Quando os alunos precisam fazer alguma coisa, concentre sua modalidade de entrega naqueles que oferecem prática e desenvolvimento de habilidades. As modalidades de aplicação incluem eLearning, Treinamento Orientado por Instrutor (ILT), atividades no trabalho, orientação e planilhas de planejamento de ações / coaching.

Como? Ajude os alunos a aplicar o conhecimento e as habilidades criando cenários ou momentos de aprendizado baseados em desafios que ofereçam a oportunidade de experimentar algo e ter sucesso, ou falhar, em um ambiente seguro. Dê consequências reais para o que o sucesso e o fracasso vão parecer e sentir.

Quando você reune todos para um evento de treinamento ministrado por instrutor na modalidade presencial pense o quanto é difícil, caro e raro reunir pessoas . Então aproveite ao máximo esse momento usando o tempo juntos. Não perca tempo compartilhando informações que são melhor entregues em outro formato. Projete o curso para que os alunos tenham a oportunidade de obter respostas para perguntas do mundo real e sugestões do especialista - e colegas em sala.

Vamos misturar as modalidades

O que? Uma vez selecionado sua modalidade de entrega para cada tópico, como você a mistura para criar a combinação certa? A chave está no timing. Veja: sempre tentamos encaixar todo o treinamento em um período de tempo muito condensado. Regra básica do designer instrucional né? Isso acontece nas empresas por conta do treinamento de novas contratações que, provavelmente é o maior culpado desse probleminha. Na realidade, porém, há estágios ou portais que um aluno deve ser capaz de passar.

Como? Faça a pergunta aos líderes de sua organização - como é o sucesso no trabalho? Quem é totalmente treinado e bem sucedido em seu papel? Então, pergunte a eles - quanto tempo demorou para atingir esse nível de proficiência? Com base na complexidade do trabalho, você pode ouvir respostas de vários anos. Mas ao longo do caminho, há marcos - tempo para a produtividade, tempo para a competência e, depois, tempo para a proficiência. Use-os para determinar em quais tópicos os alunos devem ter competência e quando.

Construir novos conhecimentos à partir do conhecimento existente, indo de consciência para competência e finalmente para o domínio. Por exemplo, quando você obtém a oportunidade (cada vez mais rara) de reunir todo mundo para um evento de treinamento presencial, crie uma mescla que se integre ao evento e continue após o término no ensino online. Exatamente como fazemos aqui com as nossas formações em desenho instrucional híbridas. Forneça pré-trabalho para plantar uma semente, estimular algumas ideias e desafiar suposições. Em sala de aula, ofereça discussões, dramatizações, estudos de caso ou exercícios em grupo. Em seguida, oferecer suporte pós-treinamento e exploração continuada de conceitos discutidos em sala de aula. Este é um ótimo momento para usar programas de mentores, grupos de discussão de coorte, sugerir leituras ou vídeos adicionais e avaliar avaliações de desempenho pós-curso.

Lembre-se: conheça o público-alvo e projete com eles ao seu lado se possível. Pode ser que os participantes não achem que o conteúdo seja relevante para eles. Eles precisam estar motivados para aprender. Eles precisam ver como esse programa e cada componente do programa podem ajudá-los a ter sucesso em seu trabalho. Em tempos de metodologias ativas reconhecer esse mérito do blended-learning ou aprendizagem híbrida é primordial. Afinal a sala de aula não está mais em uma caixa, está fora dela.

IDI - Instituto de Desenho Instrucional

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